A felicidade e a eterna busca pelo prazer


É simples pensarmos em felicidade como tudo aquilo que nos faz bem e felizes e o contrário disso, infelicidade. Numa época em que estamos todos procurando aquilo que nos faz felizes, é importante entender alguns conceitos fundamentais dentro desta busca e, principalmente, entender como o cérebro funciona neste processo.

Sempre gosto de falar um pouco sobre o funcionamento do cérebro quando o assunto é felicidade, porque a forma que este funciona determina muito a forma como temos buscado essa tal felicidade. Pois bem, considere isso um resumo muito, muito básico!

Sabe o homem das cavernas? Sempre começo falando sobre ele, pois é como se fosse nosso primeiro antepassado (isso não lhe soa incrivelmente integrador?). Aquele hominídeo é o nosso passado, da onde viemos e evoluímos. Ele tinha, basicamente, quatro preocupações: um abrigo seguro, um lugar para beber água limpa, caçar para comer e alguém para procriar. Foi basicamente assim que "tudo começou". A partir daí, nosso cérebro foi evoluindo com as experiências que foram surgindo e denotam hoje a maior parte dos problemas que nós temos - ou muitas vezes, pensamos que temos.

Vou citar alguns exemplos, para explicar melhor. Caçar para comer hoje pode nos parecer um tanto quanto fácil. Uma grande quantidade de carne já está disponível, pronta para o preparo ou consumo, em um lugar bastante acessível para a maioria de nós. Mesmo se precisássemos caçar, armas de fogo nos garantem uma proteção a mais, que não existia no tempo do hominídeo. Sair do abrigo seguro para caçar, fez com que nosso cérebro desenvolvesse um forte instinto de sobrevivência. O que conhecemos hoje como estresse é, na verdade, a "resposta de luta ou fuga", um mecanismo que nosso cérebro desenvolveu para que pudéssemos estar hoje aqui, no topo da cadeia alimentar. Além disso, mesmo as folhagens, frutos e tudo o que a natureza nos oferece como forma de alimento, precisou ser descoberto. Quem sobreviveu, foi às duras custas, observando tudo de errado e negativo que acontecia com os seus que acabavam sucumbindo. Portanto, nosso cérebro aprendeu muito através das experiências negativas desde os tempos das cavernas. Apesar de muito termos evoluído, é preciso, hoje em dia, um esforço específico para que o cérebro se desenvolva através do positivo. Aqui entra a Psicologia Positiva.

Foi através desta evolução desde o homem das cavernas que o cérebro aprendeu que o que dá prazer é bom e o que não dá prazer é ruim. Assim criamos um sistema aversivo sem sequer precisarmos pensar sobre isso. É um sistema aversivo automático. Sem dúvida, isso nos ajuda a manter-nos vivos, mas não nos ajuda a ser felizes, de forma genuína. Ora, é claro que ser feliz não quer dizer que nós tenhamos, sempre, experiências positivas e prazerosas, mas, fundamentalmente, pessoas felizes sabem lidar melhor com as situações e experiências mais desagradáveis, ajustando-se logo dentro de um equilíbrio. O melhor de tudo é que isso não é questão de sorte, hoje em dia nós sabemos como desenvolver essa forma de ser e estar no mundo, através da psicologia positiva.

O que eu quero dizer é que a maioria das pessoas tem um conceito internalizado sobre o que é a felicidade e este conceito, na grande maioria das vezes, está relacionado com a busca pelo prazer de todas as formas, sem se atentarem que a busca pelo prazer, puro e simples, momentâneo e fugaz, têm levado muitas pessoas a desenvolverem distúrbios psicológicos, enquanto que o desenvolvimento para a felicidade plena nos traz o enorme benefício de prevenção à estes distúrbios. Por exemplo, comer pode nos trazer um momento de prazer de forma muito rápida, elevando todas as reações neuroquímicas relacionadas ao bem-estar, muito mais em tempos atuais, que temos à disposição alimentos ricos em gorduras e açúcares. Mas, buscar a felicidade através do comportamento de comer por prazer pode nos trazer inúmeros problemas, como compulsão alimentar, obesidade, baixa auto-estima, sensação de perda de controle sobre a quantidade de alimento ingerida, etc. Ou seja, é um "prazer camuflado" que pode nos gerar inúmeros problemas de saúde física e emocional.

Ao contrário disso temos o termo "saborear", onde empregamos determinadas qualidades em nossa experiência no momento em que ela ocorre. Você pode saborear não só um alimento, mas uma experiência qualquer. Saborear é uma habilidade que aprendemos a exercer diante dos momentos positivos da vida, que nos coloca num ciclo altamente positivo, ajudando o cérebro a se desenvolver para aumentar a retenção dos efeitos das experiências positivas, além de favorecer nossa presença no aqui e agora. Afinal, viver com felicidade não tem tudo a ver com saborear a vida?

Resumindo, ser feliz não é praticar hedonismo; É saber enfrentar os tempos de dificuldades com graça, leveza e a certeza de que isso também vai passar. Pouco importa o que levamos na vida, mas como levamos a vida.

#florescimento

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